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Trechos, textos e trecos
segunda-feira, abril 21, 2003
Poesias da idade
Coisa mais chata ver a decadência
do corpo no espelho
E isso não é poesia
A beleza da juventude
me põe a nocaute
em qualquer esquina
Minha beleza me custa
cada vez mais caro
Dói no bolso e na alma
Não me acostumo a estar acabando
Vejo meu corpo consumido pelo tempo
Sou eu me descorporificando
Virando morta
É o começo do fim – já sinto
Meu corpo inteiro reclama de existir
A pele resseca, o tempo traça linhas,
o cabelo perde a cor,
os olhos nem sempre brilham,
os dentes amarelam meu sorriso
Pra que drogas?
Quero a vida sem anestesia!
Que vida tola. É só isso? Um dia atrás do outro? Às vezes alguma emoção. Às vezes a falta dela.
O tempo vai acontecendo, sem que se consiga parar esse relógio. É esse relógio que um dia pára a gente.
Vai vida, vai indo que eu vou junto, um dia te levo, no outro você me carrega.
Cansaço de existir. Cansaço. Preguiça. Ou até medo. Mas quando é bom, ah, como vale a pena ser gente viva. Ser gente. Ser.
Meu conselho: viva. Não há mesmo outra coisa a se fazer.
E o futuro?
Ah, deixa pra amanhã, que o tempo se encarrega de trazê-lo. Faça seu hoje bem feito. E só; que isso já é coisa demais.