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Trechos, textos e trecos

segunda-feira, abril 21, 2003


O sorriso dela estava amarelo. Não era um problema estético, talvez ético ou moral… Ela não se entendia com a própria vida. Vivia aos solavancos. Um dia de bom humor, outro de mau humor. Algumas horas de determinação, muitas horas de desânimo. Viver era meio chato mesmo, ela sabia. É desse jeito que as coisas acontecem, com qualquer pessoa, em qualquer lugar. E por que não com ela?
Ela não se sentia mais credora de toda a felicidade do Universo. O tempo ia passando para todo mundo e levava e trazia bons e maus momentos. Só isso.
Nem precisava mais perder tempo pensando em como a vida podia ser sem graça, nem tinha que se lembrar a toda hora que dela fazem parte também os dias bons, as boas recordações que levamos para o futuro.
Tudo caminha em direção ao fim. Fim sem data, sem cara, até sem certeza de não existir um depois. Se tudo impermanece, porque só o fim seria imutável?
Era só o sorriso amarelo de quem sabe que nada sabe e que tudo é do jeito que é, até que mude.

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