Links
Archives
Trechos, textos e trecos
segunda-feira, abril 21, 2003
Mais Marita.
Outro dia foi comprar um biquíni e nem se sentiu ridícula. A disciplina de Marita nas máquinas da academia tinha deixado sua marca naquele corpo. Corpo de 32 anos, um filho de 11 e um casamento desfeito depois de 8 anos sendo a metade de um casal.
Marita era livre e feliz. Não precisava de mais nada. E o amor romântico que não era posto em ação se diluía no amor ao filho, a si mesma e à vida, que ela saboreava de boca cheia e coração inflado.
Quase ansiosa.
Quase compulsiva.
Quase normal.
Ela era.
Mas comum, nunca. Comum é chato demais. Monotonia entristece a vida.
E para Marita nada era monotonia. Até ir à padaria lhe reservava surpresas. Nem que fosse pelas pessoas que passavam no trajeto, pelas vozes do caminho, pelos fragmentos de conversas que recolhia. Um dia Marita se pegou compilando trechos de papos furados e inventando uma história. Foi sem querer que casos distintos pareciam se completar em uma conversa de segunda mão. Ela quase foi capaz de interceder e dar seqüência à conversa dos outros.
Mas Marita tinha bom senso, ouvia como se não ouvisse e seguia seu caminho sempre calada.